Concreto e cimento seguem como protagonistas na modernização da construção civil no Brasil

O uso estratégico de cimento e concreto na construção civil brasileira foi tema central de um dos debates finais do Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC), realizado em São Paulo na sexta-feira (11/04). O painel destacou como a aplicação de novas tecnologias baseadas nesses materiais tradicionais tem contribuído para aumentar a eficiência das obras, reduzir prazos e elevar o padrão de qualidade das edificações em todo o território nacional.
Promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e realizado em conjunto com a 29ª edição da Feicon, no São Paulo Expo, o evento reuniu grandes nomes do setor. A mediação ficou a cargo de Eduardo Aroeira Almeida, vice-presidente Financeiro da CBIC. Participaram do debate especialistas como Daniel Katz (CEO da Katz Construções), Diego Ciola Esteves (responsável pela Engenharia e Operações Off-Site da MRV&CO), Paulo Koelle (diretor da Stone Pré-fabricados) e Valter Frigieri (diretor de Planejamento e Mercado da Associação Brasileira de Cimento Portland, a ABCP).
Durante a abertura, Aroeira ressaltou que a construção civil precisa passar por uma transformação para acompanhar o ritmo de crescimento econômico. Ele enfatizou que soluções inovadoras baseadas em cimento e concreto têm se mostrado essenciais para ampliar a produtividade e garantir maior competitividade no setor, defendendo um futuro com foco em industrialização, inovação e sustentabilidade.
Impressão 3D como solução para obras rápidas e econômicas
Daniel Katz apresentou a tecnologia de impressão 3D em concreto como uma das inovações mais promissoras para obras de menor porte e projetos de habitação social. Segundo ele, a técnica permite agilizar significativamente o tempo de execução e reduzir o desperdício de materiais. Como exemplo, citou um projeto desenvolvido para a CDHU, em que a estrutura foi impressa em apenas quatro dias, montada em dois e concluída em 20 dias.
Industrialização do canteiro de obras
Diego Ciola compartilhou as experiências da MRV&CO com a adoção de kits construtivos e métodos off-site, que deslocam etapas da obra para ambientes industriais. A estratégia busca padronizar processos, melhorar a qualidade e garantir maior segurança nas construções. Ele também mencionou uma iniciativa inovadora da empresa: a implantação de fábricas de kits dentro de presídios, viabilizada por meio de parcerias público-privadas, como forma de enfrentar a escassez de mão de obra especializada.
Eficiência com pré-fabricação
Paulo Koelle destacou os benefícios das fachadas pré-moldadas em concreto, como a possibilidade de criar formatos diferenciados, sejam curvos, vazados ou torcidos, que aliam leveza estética e praticidade na montagem. Ele afirmou que a pré-fabricação é uma alternativa eficaz para reduzir prazos, padronizar a qualidade e diminuir os impactos ambientais no canteiro de obras.
Cimento e concreto aliados à inovação sustentável
Valter Frigieri reforçou a importância estratégica do cimento e do concreto para projetos voltados à inovação e à sustentabilidade. Para ele, esses materiais oferecem uma combinação entre versatilidade e desempenho técnico que, quando aliada a novas tecnologias, contribui para o avanço da produtividade sem deixar de lado as questões ambientais.
Iniciativas para o futuro da construção civil
O painel também integra o projeto Construção 2030, da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (COMAT) da CBIC, liderado por Dionyzio Klavdianos em colaboração com o SENAI. A proposta visa acelerar o desenvolvimento tecnológico do setor e aproximar a construção civil brasileira das melhores práticas internacionais.
O evento contou com o apoio do Sistema Indústria, além da correalização com o SESI e o SENAI. Entre os patrocinadores estiveram a Caixa Econômica Federal, o Governo Federal, a Saint-Gobain (no Hub de Sustentabilidade), o Sebrae Nacional (no Hub de Inovação) e a Mútua (no Hub de Tecnologia), além de diversas outras empresas e instituições do setor.
Construção do futuro une tradição e inovação
Com exemplos práticos e relatos de experiências bem-sucedidas, o painel demonstrou que o futuro da construção civil brasileira depende da capacidade de industrializar processos, adotar novas tecnologias e, ao mesmo tempo, valorizar materiais consagrados como o cimento e o concreto. A modernização do setor passa por reinventar o uso desses materiais para torná-los ainda mais eficientes, sustentáveis e alinhados às demandas de um novo cenário econômico e social.
Vale o alerta para a durabilidade: estudos recentes indicam que o concreto utilizado em túneis rodoviários está apresentando sinais de deterioração mais cedo do que o esperado, especialmente em regiões próximas ao mar. A constatação preocupa especialistas, que veem riscos tanto para a segurança quanto para os custos de manutenção dessas estruturas. Pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Chalmers, na Suécia, identificaram o fenômeno no túnel de Oslofjord, na Noruega, observando que a infiltração de água do mar carrega bactérias que se fixam nas superfícies de concreto e formam biofilmes.


